Você que é um treinador iniciante, não deve deixar de assistir o filme "O Sorriso de Monalisa" . É um filme americano de 2003, produzido pelo Revolution Studios e Columbia Pictures, dirigido por Mike Newell e escrito por Lawrence Konner e Marker Rosenthal. O título é uma referência à Mona Lisa, uma pintura famosa de Leonardo da Vinci.
A atriz Julia Roberts interpreta a professora de História da Arte Katharine Watson, que quer romper os ideais machistas da sociedade americana da década de 50. Na sociedade tradicionalista da época não havia meios da mulher conciliar seu lado profissional com o lado esposa e dona de casa. Uma escolha sempre importava em renunciar a outra. A mulher da década de 50 era educada para ser uma boa mãe e esposa. Ter filhos não era uma escolha, mas sim uma obrigação.
Durante as aulas, a professora procurava despertar nas alunas questionamentos sobre as escolhas que elas deviam fazer em suas vidas, alertando as alunas para o desenvolvimento pessoal e as escolhas que cada uma poderia fazer.
Essa história remete aos profissionais da educação, não só os professores, mas todos aqueles que ensinam, treinam e desenvolvem pessoas, como seres críticos e conscientes, que devem não só participar de uma reflexão com seus pares, mas deve levar essas reflexões até seus treinandos possibilitando a oportunidade de que eles possam fazer análises constantes das propostas implícitas nas situações que a vida pessoal e profissional lhes oferece.
Indo mais além, em termos nacionais, é notável a desvalorização progressiva que vem ocorrendo com especificamente o papel do professor, muitas vezes sendo visto como profissional de questionável qualidade, em meio a um emaranhado de dificuldades de formação, de condições de trabalho, com salários mal remunerados, dentre outras dificuldades.
Cada um de nós (treinadores) somos responsáveis por criar uma nova postura do treinador/educador em relação ao treinando/aluno, uma outra reflexão que deve ser realizada e implica descobrir caminhos no rumo a esse processo pedagógico. Dentro das organizações ainda se nota a falta de valorização por esse profissional, que se qualifica, passa muitas horas além do seu expediente de trabalho desenvolvendo materiais que levem conhecimento para a organização e para o colaborador. Com um olhar materialista o Recursos Humanos ainda é visto como custo para a organização, pois não produz valor imediato tangível, mas aí está o erro, porque os ganhos são muitos, mas intangíveis e a longo prazo.
Para trabalhar com treinamentos, mais do que nunca, o profissional, tem que ser resiliente, pois não se nota ganhos de imediato, o profissional deve entender que trata-se de um processo. Deve ser curioso, investigador, pesquisador, criativo e dinâmico, além disso, deve ter a percepção de que teoria e prática, pesquisa e extensão, são interdependentes e que para ele se realizar como bom profissional deve aprender constantemente.
Sendo assim, o sorriso enigmático de Mona Lisa, também, seria o futuro dessas mulheres do filme, que se perguntavam: para que estudar? Para se casar? Para cuidar do marido? Ou vou seguir outro caminho? Serei profissional? Mas como conciliar o lar e trabalho? Questões dolorosas e difíceis que ainda são enfrentadas pelas mulheres em pleno “pós-modernismo”, este filme pra mim é visto, como meio pelo qual é possível permitir discussões temáticas que têm ligações diretas com o conteúdo ensinado ou também que possibilitem discussões temáticas que nem sempre são do objetivo daquele treinamento. Mas, que nem por isso, deixam de ser importantes, muitas vezes apresentam-se como temas transversais, como por exemplo, a questão social da mulher na sociedade, que é enfatizada neste filme.
Percebo que a mensagem maior do filme não é somente o questionamento das escolhas e educação que as mulheres tinham na época, mas, sobretudo a forma como a professora inovava em suas aulas, propondo de forma criativa um novo olhar para a arte e para o pensar de cada aluna. Recusando os manuais e as apostilhas padrões, a professora didaticamente leva as alunas a um mergulho na arte, nos questionamentos da vida e dos padrões sociais da época.
Vamos seguir o exemplo desta professora, embora pareça difícil, e se você é um iniciante nesta área não importa, lembre-se que estudou muito e esta mais do que preparado, e essa é a hora de colocar tudo em prática. Mãos à obra! Mas lembre-se o resultado maior será a longo prazo, você irá plantar a semente, dia após dia tem que regar, e cuidar para que ela cresça, e quando isso acontecer sua satisfação será imensa, mas só se você for capaz de esperar e entender o processo de aceitação e aprendizado de cada um.
“Se não morre aquele que escreve um livro ou planta uma árvore, com mais razão não morre o educador que semeia a vida e escreve na alma”
(Bertold Brecht)

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